Montadora mostra surpresa diante da decisão: “Unidade precisa estar preparada para disputar novas oportunidades”.
Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, SP, anunciou decisão dos trabalhadores da fábrica local da General Motors de entrarem em estado de greve para pressionar a montadora a avançar nas negociações da campanha salarial deste ano.
A decisão foi aprovada em assembleias realizadas na segunda-feira, 31, contemplando os dois turnos de trabalho da unidade fabril. Entre as principais reivindicações está o aumento real dos salários, de 3,5% acima do INPC. Segundo o sindicato, a montadora vem resistindo a conceder algo além do índice oficial.
A GM, por sua vez, se mostrou bastante surpresa com a decisão de estado de greve, emitindo nota na qual destaca que, desde 2019, vem adotando medidas importantes para manter a competitividade e a sustentabilidade da planta de São José dos Campos no longo prazo:
“Esse esforço é fundamental para ocupar nossa capacidade atual, ampliar a operação para além da produção da S10 e criar condições para a avaliação de novos negócios e futuros projetos. Por isso, após dez reuniões com o sindicato e diante do diálogo mantido ao longo desse processo, recebemos com surpresa a decisão pela aprovação do estado de greve”.
A montadora complementa informando que mantém disposição para o diálogo e para a construção de uma solução responsável. E conclui: “Ao mesmo tempo, competitividade, estabilidade operacional e compromisso de todas as partes são condições essenciais para o futuro da planta de São José dos Campos e para que a unidade esteja preparada para disputar novas oportunidades”.
Outros itens da pauta
A pauta também inclui estabilidade no emprego, PLR (Participação nos Lucros e Resultados) de R$ 23,5 mil em 2027 e R$ 24,9 mil em 2028 e vale-alimentação mensal de R$ 1.200 e R$ 1.350 nos próximos dois anos.
“A GM tem se mostrado bastante intransigente em relação ao reajuste salarial. Com o estado de greve, estamos mostrando para a empresa que não vamos aceitar mais um ano sem aumento real. Os trabalhadores querem valorização, estabilidade e avanços concretos na negociação”, informou o vice-presidente do sindicato, Valmir Mariano.
A GM emprega 3,3 mil trabalhadores em São José dos Campos, onde produz os modelos S10 e Trailblazer. Também em São Caetano do Sul, no ABC paulista, os trabalhadores da montadora estão em campanha salarial, reivindicando 3,5% de aumento real.
As negociações com os trabalhadores brasileiros ocorrem em um momento marcado pela investida da GM em produtos chineses, seja a partir da importação de veículos completos ou via montagem de unidades CKD na Planta Automotiva do Ceará (PACE) em Horizonte.
Fonte: Auto Indústria