Depois de completar 60 anos, a Mobensani mantém uma trajetória de crescimento robusta no setor automotivo. Focando em proximidade com o mercado, inovação e gestão estruturada, a empresa produz anualmente cerca de 25 milhões de peças automotivas e conta com um portfólio de mais de 2.500 itens.
Em entrevista à Mercado Automotivo, Simone de Azevedo Franzo, CEO de Estratégias da Mobensani, fala sobre os desafios que ainda permeiam o setor de autopeças e destaca a importância da diversidade para a marca. Confira a seguir:
Mercado Automotivo – Qual é o principal gap do mercado brasileiro de autopeças atualmente? A logística e o sistema tributário permanecem como as principais dores de cabeça para o setor? Você vê alguma evolução nesse sentido na última década?
Simone de Azevedo Franzo – O principal desafio continua sendo o Custo Brasil, que impacta diretamente a competitividade da indústria. O sistema tributário complexo e a logística ainda são fatores relevantes e, na prática, acabam sendo partes complementares desse mesmo problema estrutural.
Na última década, porém, vimos avanços importantes na logística. O crescimento do comércio eletrônico impulsionou a criação de redes de distribuição muito mais eficientes. Empresas que nasceram para atender o digital acabaram estruturando uma malha logística que hoje beneficia também o mercado de reposição.
Isso tem ajudado o setor a ganhar agilidade e capilaridade, permitindo que mais empresas ampliem seu alcance e levem produtos com eficiência para todo o país.
MA – A Mobensani cresceu quase 1.000% entre 2015 e 2024, em um setor no qual um crescimento de 10% já é visto como positivo. Quais foram os pilares que sustentaram essa evolução da empresa no período?
SAF – Nosso crescimento foi sustentado por alguns pilares muito claros: proximidade com o mercado, inovação constante e gestão estruturada.
Sempre estivemos atentos aos movimentos do setor – tanto os internos, junto aos nossos clientes, quanto os externos, como importações, fusões e aquisições no mercado brasileiro.
Investimos fortemente em lançamentos de produtos, comunicação estratégica e profissionalização da gestão, com governança, auditorias e processos cada vez mais sólidos.
Mas, acima de tudo, existe um fator decisivo: o nosso time. Comunicação clara, alinhamento de propósito e comprometimento coletivo criaram um ecossistema que sustenta crescimento com consistência.
Costumo dizer que nosso objetivo vai além de crescer. Queremos “MOBENSANEAR o Brasil”, levando qualidade, eficiência e confiança para toda a cadeia do mercado de reposição automotiva.
MA – E quais foram os principais desafios encontrados nessa trajetória de crescimento?
SAF – Crescer exige antecipação e disciplina estratégica. No mercado de reposição, o planejamento de médio prazo é um desafio constante, porque o setor exige leitura de cenário, capacidade de adaptação e muita organização interna.
Ao longo dessa trajetória, investimos em consultorias estratégicas, novos sistemas de gestão, como o SAP, e em um processo profundo de fortalecimento cultural dentro da empresa.
Superamos muitos desafios, mas eles continuam surgindo, e isso é natural. Eu costumo dizer que o desafio é a própria dor do crescimento.
Quando existe mentalidade de prosperidade, visão estratégica e um time comprometido, cada desafio acaba se transformando em um novo nível de evolução.
MA – O setor automotivo é historicamente masculino, nos campos de trabalho de forma geral e nos cargos de liderança. Você lidera uma empresa reconhecida como uma das maiores do setor e cofundou a Associação das Mulheres do Mercado Automotivo (AMMA). O que você diria hoje às mulheres que desejam ingressar no setor ou que estão apenas iniciando sua trajetória profissional? O que fazer e o que não fazer jamais nessa jornada?
SAF – Eu diria que o setor automotivo é um campo enorme de oportunidades. A presença feminina agrega muito valor porque traz um olhar amplo, uma capacidade de análise de 360 graus e uma forma de atuação extremamente complementar para o segmento.
Para quem está começando, meu conselho é simples e poderoso: faça o extra do ordinário — o extraordinário — com consistência e disciplina. Isso é profissionalismo.
E sobre o que jamais fazer: não deixe de se posicionar. Não abrace a pedra do caminho e não carregue sacolas que não são suas.
Quando a mulher entende seu valor e se posiciona com clareza, ela não apenas cresce profissionalmente, mas também ela abre caminho para muitas outras.
MA – Quase 30% da força de trabalho da Mobensani é feminina. Qual é a importância da diversidade para a empresa? É possível ampliar essa participação?
SAF – A diversidade não é apenas importante, ela é estratégica. Quando diferentes perspectivas se encontram dentro de uma empresa, as decisões ficam mais inteligentes, as soluções mais completas e o crescimento mais sustentável.
Na Mobensani temos muito orgulho de ver essa diversidade se fortalecendo. O nosso conceito #SOMOSTODOSMOBENSANI representa exatamente isso: respeito, colaboração e evolução coletiva.
E sim, seguimos ampliando essa participação. Quanto mais diversidade existe dentro da empresa, maior é a capacidade de inovação e transformação.
MA – O preconceito ainda faz parte do cotidiano de mulheres e não apenas no setor automotivo. Muitas empresas ainda relutam em adotar iniciativas que contribuam para maior diversidade em seus quadros de funcionários. Você entende que o uso de dados para comprovar os benefícios da diversidade pode ser uma alternativa para mudar esse cenário? A Mobensani tem dados e informações para valorizar sua força de trabalho feminina (inclusive internamente)?
SAF – Os dados ajudam muito, principalmente para quem ainda precisa de evidências concretas sobre os benefícios da diversidade nas organizações. Mas existe um aspecto que os números dificilmente conseguem medir: a energia cultural que a presença feminina traz para as empresas.
Mulheres constroem conexões, fortalecem ambientes e ampliam o senso de pertencimento dentro das organizações. Existe um componente de acolhimento e construção coletiva que muitas vezes é invisível nas métricas, mas extremamente poderoso na prática.
A diversidade, portanto, não é apenas um indicador de gestão — ela é um ativo cultural e estratégico para empresas que querem crescer de forma sustentável.
MA – Apesar de investir em gestão profissionalizada, a Mobensani jamais abandonou completamente seu caráter familiar. De que forma a família contribuiu para o crescimento da empresa nas últimas duas décadas? Quais são as principais lições que você absorveu a partir do trabalho com sua irmã e seu pai?
SAF – A principal lição que aprendi dentro da empresa familiar é o respeito aliado ao alinhamento de propósito. Opiniões diferentes sempre existirão — e isso é saudável. O importante é que todos estejam olhando para o mesmo objetivo.
Na Mobensani existe uma regra simples: quando tomamos uma decisão, seguimos juntos naquela direção. Não existe a frase “eu avisei”.
Cada um lidera à sua maneira, mas todos remam para o mesmo lado. Muitas das nossas decisões estratégicas são literalmente construídas a seis mãos, e isso fortalece muito a consistência das escolhas.
MA – Você iniciou na Mobensani há mais de 35 anos com uma história curiosa, sem imaginar que construiria essa rica trajetória na marca. Se você pudesse, o que diria para aquela mulher, que havia acabado de concluir o magistério? Faria algo diferente?
SAF – Eu diria para ela estudar na Universidade marketing e comunicação, porque essas áreas aceleram muito a capacidade de transformar ideias em estratégia.
Minha formação em Turismo foi extremamente valiosa e até hoje contribui para a forma como organizo pensamento e visão de mercado. Mas talvez eu tivesse sido ainda mais arrojada em alguns momentos, realizando mais alavancagens de investimento para acelerar certos movimentos da empresa.
De qualquer forma, olhando para trás, vejo que cada passo construiu a trajetória que hoje nos permite pensar grande: continuar crescendo e MOBENSANEAR o Brasil, levando qualidade, inovação e confiança para todo o mercado de reposição automotiva.
Escrito por: Redação