Para que um negócio permaneça firme, é necessário cuidar das suas finanças e fazer uma gestão eficiente.
Como MEI, o empreendedor se torna um profissional autônomo e, como profissional autônomo, passa a trabalhar por conta própria como pequeno empresário, sem a obrigatoriedade de contratar um contador.
Regularizado como microempreendedor individual, você passa a ter direitos como o auxílio-maternidade, direito ao afastamento remunerado por problemas de saúde, aposentadoria, enquadramento no Simples Nacional, entre outros.
Formalizar-se significa possuir, também, obrigações que devem estar em dia perante a legislação federal, como por exemplo o relatório mensal das receitas (necessário para especificar as receitas brutas obtidas no mês anterior), o pagamento das contribuições mensais (ISS, ICMS e INSS), o alvará de funcionamento permanente (com o alvará de funcionamento provisório o MEI só pode emitir notas fiscais) e o pagamento do Documento de Arrecadação Simplificada atualizado (DAS).
Hoje, 29% dos MEIs fecham as portas em até cinco anos de atividade no Brasil. O fechamento dessas empresas pode acontecer por diversos fatores, os principais deles sendo a falta de capital de giro necessário e da falta de preparo do próprio empreendedor para fazer a gestão de um negócio.
A falta de conhecimento e a desorganização das finanças são dois dos principais motivos que levam as empresas a não resistirem no mercado.
Como, então, fazer a gestão financeira do MEI? Será necessário conhecer suas despesas, fazer o seu fluxo de caixa, manter o capital de giro e estar preparado financeiramente para os tempos difíceis. Outras dicas que podem ser de grande valor são: não misturar finanças pessoais com as finanças empresariais, criar planilhas para a organização e utilizar softwares específicos para o controle financeiro completo e a maximização de seus resultados.
Para onde vai o meu dinheiro?
Por se tratarem de pequenas empresas e poucas delas terem outro funcionário para auxiliar, a estrutura do negócio tende a ser bem pequena. Um empreendedor que tem sua lojinha de frutas, por exemplo, possui conhecimento suficiente para vender aquele produto, mas não necessariamente possui conhecimento para fazer a gestão financeira do seu negócio.
Ou seja, entende-se que os microempreendedores individuais estão focados na atividade do seu negócio, mas não estão focando em adquirir conhecimentos para a gestão do seu empreendimento.
Mencionando outro exemplo, o empreendedor pode fazer o melhor picolé da cidade e estar totalmente focado em entregar qualidade para o cliente, porém, esse mesmo empreendedor não sabe colocar preço no seu produto corretamente e, por isso, não enxerga lucros no fim do mês.
A gestão financeira ajuda o microempreendedor individual no sentido de conhecer os seus custos, facilitando seu equilíbrio financeiro e até o acesso a linhas de microcrédito, evitando assim a descontinuidade, as dívidas e a falência do negócio.
Já o planejamento financeiro é de grande ajuda para que o MEI possa tomar decisões mais assertivas no dia a dia, como escolha de fornecedores, escolha de créditos bancários, entre outras situações pertinentes.
Na prática, sabemos que muitos empreendedores só decidem fazer um gerenciamento financeiro quando falta dinheiro. Quando acontece uma crise de caixa e falta capital de giro, chegam os juros do cheque especial, os empréstimos e as dores de cabeça.
A falta de controle faz o dinheiro “desaparecer” rapidamente. Por isso é tão importante manter uma boa gestão financeira, pensando em prevenir eventuais sustos no caixa da empresa, evitar dívidas sabendo quanto fatura e quanto gasta e até planejar empréstimos que são necessários de fato, com foco no crescimento do negócio.
Separação do dinheiro do MEI e PF
Na prática, se o negócio não movimenta muito dinheiro, muitos empreendedores não abrem uma conta para a empresa; recebem e fazem pagamentos usando a conta bancária da pessoa física. O que há de mal nisso?
Apesar do MEI não precisar, obrigatoriamente, abrir uma conta bancária PJ específica para a empresa, é interessante fazer isso para estabelecer uma separação entre os seus gastos pessoais e os gastos ligados ao negócio do MEI. Esse é um passo importante para fazer uma gestão eficiente.
Separe o patrimônio pessoal do patrimônio empresarial. Não pague despesas pessoais usando a conta relacionada à sua empresa. Defina uma retirada mensal que funcionará como o salário do empreendedor, que deverá ter data certa para sair e conta específica para receber.
Ao cometer o erro de misturar as finanças pessoais e empresariais, o MEI complica o gerenciamento das duas, dificultando a identificação do dinheiro que entra e sai do caixa e atrapalhando a saúde financeira do empreendimento.
Assim os números não vão refletir o real quadro de ambas as finanças e vai ser criado um problema de organização, concepção de estratégias e criação de planejamento.
Artigo publicado no Portal Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). Confira outras informações e conteúdos, como cursos, planilhas e livros gratuitos, em https://sebrae.com.br.
Escrito por: Sebrae