Em entrevista à revista Mercado Automotivo, Ana Paula Soares, diretora de Vendas e Marketing da SABÓ, fala sobre o papel da marca na cadeia de reposição automotiva brasileira. Confira a seguir!
Mercado Automotivo – Qual é o peso da reposição para a SABÓ atualmente no mercado brasileiro? E qual é o papel da SABÓ nessa cadeia?
Ana Paula Soares – A reposição é absolutamente estratégica para a SABÓ, representa uma parcela muito relevante do nosso negócio no Brasil e está no centro do planejamento da companhia. Não olhamos o aftermarket apenas como um canal de vendas, mas como um ecossistema no qual estamos inseridos há décadas, construindo relações de longo prazo com distribuidores, varejistas e oficinas.
O nosso papel nessa cadeia é atuar como uma fornecedora de soluções, não apenas de produtos. Isso significa garantir um portfólio completo, com cobertura ampla e aderente às necessidades da frota circulante, mas também assegurar qualidade, disponibilidade, suporte técnico e informação. Sabemos que o reparador confia na SABÓ quando escolhe uma junta, um retentor ou qualquer componente de vedação: isso impacta diretamente o desempenho e a segurança do veículo.
Além disso, atuamos como um elo integrador. Ouvimos o mercado, traduzimos essas demandas internamente e trabalhamos para devolvê-las na forma de produtos, treinamentos, conteúdos técnicos e serviços que realmente façam diferença no dia a dia da oficina e do balcão. Esse é o nosso compromisso com a reposição.
MA – Gostaria que falasse sobre o conceito da SABÓ como parceira técnica da oficina e não apenas como fabricante. Como funciona e qual é o impacto dessa parceria para as oficinas?
APS – Quando dizemos que a SABÓ é parceira técnica da oficina, estamos falando de uma mudança de mentalidade, pois deixamos de ser apenas o nome estampado na caixa e passamos a estar presentes no processo de reparação como um todo.
Isso acontece de várias formas. Temos uma equipe dedicada à capacitação, que realiza treinamentos presenciais e online, participa de eventos técnicos, cria conteúdos em linguagem acessível e leva informação para os profissionais do setor, seja na oficina, no distribuidor, em plataformas digitais ou nas redes sociais. Nosso objetivo é tornar o dia a dia do reparador mais seguro, eficiente e rentável.
É desta forma, colocando o mecânico no centro dos negócios, que desenvolvemos as ações. Trabalhamos para ajudá-lo a fazer o diagnóstico correto, com orientação na aplicação dos produtos e boas práticas de montagem, além de compartilhar informações de falhas recorrentes e como evitá-las, bem como disponibilizando materiais técnicos atualizados.
O impacto é direto na produtividade e na confiança. Uma oficina bem informada reduz retrabalho, aumenta a taxa de acerto na primeira intervenção e melhora a percepção do cliente final. E, quando o mecânico associa esse resultado à experiência com a marca, criamos um vínculo de confiança muito forte. Esse é o tipo de relação que buscamos consolidar com o mercado.
MA – Atualmente, quais são as tecnologias e os sistemas que mais impactam o reparador? Os híbridos, por exemplo, têm impacto relevante?
APS – Vivemos um momento de grande transformação tecnológica na frota. Os sistemas de injeção cada vez mais sofisticados, o aumento da eletrônica embarcada, os motores downsizing com turboalimentação, os sistemas de pós-tratamento de emissões e as novas configurações de trem de força são alguns exemplos de desafios que chegam à oficina.
No contexto brasileiro, os veículos híbridos e, em menor escala, os elétricos, já começam a aparecer com mais frequência nas oficinas independentes, principalmente nas grandes capitais. Ainda não representam a maioria dos atendimentos, mas têm impacto relevante do ponto de vista de conhecimento técnico porque exigem procedimentos específicos, equipamentos adequados e muito respeito às normas de segurança.
Para o reparador, isso significa que o conhecimento não pode mais ser estático. Com relação aos sistemas de vedação, por exemplo, precisam acompanhar a evolução dos motores, dos fluídos, das temperaturas de trabalho e dos materiais. E o mecânico precisa entender que, muitas vezes, não é apenas “trocar uma junta”, mas seguir um procedimento bem definido, com torque correto, limpeza adequada e atenção às recomendações do fabricante. A tecnologia chegou à oficina e ela não vai andar para trás.
MA – Gostaria que falasse sobre a sua trajetória na SABÓ e no setor automotivo. Quais foram os principais desafios que enfrentou para crescer em um mercado historicamente masculino?
APS – Minha trajetória no setor automotivo começou há 24 anos, no mercado de reposição, como promotora de vendas. Foi uma experiência muito rica, porque me permitiu conhecer de perto todos os elos da cadeia: o balcão de autopeças, a oficina, o distribuidor, o contato com o mecânico, o entendimento da realidade do dia a dia. Essa vivência prática foi decisiva para a minha formação como profissional e como líder.
Na SABÓ, estou há 14 anos. Fui assumindo novas responsabilidades ao longo do tempo, passei por diferentes funções ligadas à área comercial e, há pouco mais de um ano, assumi a diretoria de Vendas e Marketing. Hoje, lidero um time renovado, com forte atuação em digital, trade e branding, sempre com foco em resultados, mas sem perder o lado humano, que é muito forte na cultura da SABÓ.
Em relação aos desafios, é fato que o setor automotivo, especialmente no início da minha carreira, era predominantemente masculino. Isso exigiu de mim uma dose extra de resiliência, preparo, disciplina e clareza de propósito. Eu sempre tive muito claro que queria liderar pessoas e que precisava entregar resultados consistentes para conquistar espaço e credibilidade.
Enfrentei situações em que precisei provar, mais de uma vez, que eu estava ali por competência, e não por acaso. Ao mesmo tempo, encontrei muitas pessoas que me incentivaram, abriram portas e me ajudaram nessa jornada. Hoje, olho para trás com gratidão e para frente com a certeza de que as próximas gerações de mulheres encontrarão um ambiente mais aberto, mas que ainda exige preparo, coragem e disposição para se desenvolver.
MA – Com 84 anos de história, qual é o maior legado da SABÓ para o mercado? Quais são os planos da marca para os próximos anos para se manter competitiva em um cenário de grandes transformações (novas tecnologias e mobilidade, por exemplo)?
APS – O maior legado da SABÓ é a combinação de tradição e confiança com capacidade de inovação. Ao longo de 84 anos, construímos uma história baseada em qualidade, seriedade e proximidade com o mercado. A marca SABÓ carrega um peso muito grande quando o assunto é vedação e sistemas correlatos, tanto na montadora quanto na reposição.
Esse legado se traduz em vários aspectos: a confiança do reparador ao instalar um produto, a parceria com nossos clientes, a presença da nossa tecnologia em diferentes montadoras e a contribuição para o desenvolvimento da indústria automotiva brasileira.
Para os próximos anos, nosso foco é continuar sendo referência em vedação, mas olhando para o futuro da mobilidade. Isso significa investir em inovação e desenvolvimento de produtos compatíveis com novas tecnologias de motores e sistemas; ampliar a cobertura de portfólio para atender à frota em transformação; fortalecer a presença em mercados estratégicos, tanto no Brasil quanto no exterior; intensificar a digitalização das nossas relações com clientes e parceiros, e manter o compromisso com a sustentabilidade e com práticas responsáveis.
Queremos permanecer próximos do reparador, do distribuidor, do varejo e das montadoras, acompanhando de perto as mudanças e oferecendo soluções que façam sentido na prática. É assim que pretendemos honrar nossa história e, ao mesmo tempo, nos manter competitivos em um cenário de grandes transformações.
MA – Como a SABÓ enxerga o futuro da reparação e o papel do reparador?
APS – Nós enxergamos o reparador como peça central do futuro da mobilidade, especialmente em um país como o Brasil, com uma frota grande e diversa e com forte presença de oficinas independentes. Mesmo com a evolução da tecnologia e com a digitalização dos veículos, alguém continuará sendo responsável por manter essa frota rodando de forma segura e eficiente. Esse alguém é o reparador.
O futuro da reparação passará por mais uso de ferramentas de diagnóstico eletrônico; integração entre dados, histórico do veículo e manutenção preventiva; necessidade de formação técnica cada vez mais sólida; especialização em determinados sistemas ou segmentos de frota, e relacionamento mais próximo com o cliente final, com foco em confiança e transparência.
Nesse contexto, o reparador deixa de ser visto apenas como “o mecânico que conserta” e passa a ser um consultor de manutenção e segurança. E a SABÓ quer estar ao lado desse profissional, fornecendo produtos de alta performance, informação técnica e suporte para que ele possa se posicionar de forma competitiva e valorizada.
MA – Quais são os principais projetos e ações da SABÓ voltados ao mercado de reposição neste e nos próximos anos?
APS – Temos trabalhado em um conjunto de iniciativas estruturadas especificamente para o mercado de reposição, que envolvem expansão e atualização do portfólio, com foco em cobertura de frota e novas aplicações, bem como o fortalecimento dos programas de treinamento técnico para oficinas, distribuidores e varejistas.
Este ano lançamos a segunda edição da campanha Equipe sua Oficina, que incentiva a participação dos mecânicos para que compartilhem conhecimento técnico com dicas de aplicação, oferecendo espaço e voz a quem aplica os nossos produtos e merece o nosso reconhecimento e admiração.
Temos também o programa Giro na Fábrica para apresentar aos profissionais do mercado a tecnologia de ponta da planta de Mogi Mirim, que possui rigorosos padrões de qualidade e excelência em manufatura, uma forma de aproximar clientes, parceiros e estudantes do dia a dia produtivo, unindo relacionamento, conhecimento técnico e formação de novos profissionais.
Além disso, desenvolvemos ações de trade marketing e presença mais ativa nos pontos de venda, com materiais, campanhas e suporte ao balcão, além de divulgação de conteúdos técnicos, vídeos, lives e comunicação direcionada ao reparador em canais digitais. Mantemos parcerias com entidades, escolas técnicas e redes de oficinas para fomentar a profissionalização.
Nos próximos anos, queremos integrar cada vez mais essas frentes, conectando o físico com o digital, a indústria com a oficina e a estratégia com a realidade do dia a dia do reparador. O grande objetivo é ser reconhecida não apenas como uma fornecedora de produtos, mas como uma parceira completa para o mercado de reposição.
MA – Por fim, gostaria que deixasse uma mensagem a mecânicos, donos de oficina e profissionais de autopeças, em nome da SABÓ.
APS – A minha mensagem é, antes de mais nada, de reconhecimento e gratidão. Vocês são protagonistas na cadeia automotiva e, muitas vezes, não recebem a visibilidade que merecem. Cada veículo que volta a rodar com segurança depois de passar por uma oficina carrega o trabalho, o conhecimento e a dedicação de vocês.
Estamos vivendo um momento de grandes mudanças, mas também de grandes oportunidades. O mercado de reposição brasileiro é forte, resiliente e tem muito espaço para quem se prepara, se profissionaliza e se mantém próximo das necessidades do cliente.
Em nome da SABÓ, agradeço a confiança de quem, todos os dias, escolhe nossos produtos para estar ao lado do seu trabalho. Contem conosco como parceiros técnicos e de negócios. Seguiremos investindo em qualidade, inovação e em iniciativas que valorizem o papel de cada mecânico, dono de oficina, balconista e distribuidor nessa jornada.
Vamos seguir juntos, mantendo a frota de veículos em movimento com segurança, profissionalismo e orgulho do que fazemos.
Escrito por: Redação