Exportações caem 20,8% nos primeiros sete meses de 2026, também em função da desaceleração da Argentina
As exportações brasileiras de veículos leves e pesados ficaram próximas de 255,9 mil unidades de janeiro a julho, sensível queda 20,8% diante dos embarques registrados no mesmo período de 2025, revelou a Anfavea nesta sexta-feira, 6.
A retração tem sido puxada principalmente pela queda nas vendas de automóveis e comerciais leves, que passaram de 303 mil para 239,7 mil unidades, 20,9% menos, enquanto caminhões e ônibus recuaram de 20,1 mil para 16,2 mil, 19,4% menores.
Em julho, foram exportados 39,3 mil veículos, crescimento de 6,8% sobre junho. A comparação com o volume embarcado em igual mês do ano passado, contudo, mostra queda de 18,4%, o que indica que a recuperação mensal ainda não representa uma reversão da tendência de queda observada nos últimos meses.

O desempenho confirma a revisão das projeções feita pela Anfavea em julho. A entidade passou a estimar retração de 12,8% nas exportações em 2026, diante da desaceleração dos principais mercados de destino, em especial o argentino, e do aumento da concorrência de veículos produzidos na China e no México.
O principal sinal de perda de competitividade aparece justamente nos mercados vizinhos, historicamente responsáveis pela maior parte das exportações brasileiras, alerta Igor Calvet, presidente da Anfavea.
A Argentina, maior compradora dos veículos brasileiros, reduziu de 191 mil para 125,4 mil as unidades consumidas, tombo 34,3% nos sete primeiros meses do ano.
O recuo supera com folga a média geral das exportações brasileiras e, enfatiza Calvet, evidencia a desaceleração da Argentina, que em 2025 havia sustentado boa parte do crescimento das vendas externas da indústria brasileira.

O desaquecimento do mercado argentina, cujas vendas de veículos recuaram 12% em 2026, já havia sido apontado pela Anfavea no começo do ano, movimento que se intensificou ao longo dos meses.
Mas outros importantes polos também têm comprado menos das montadoras daqui. O México absorveu 41,2 mil unidades até julho, recuo de 6,9%. Os negócios com o Uruguai encolheram 26,1%, para 14,8 mil veículos, e com o Chile, 22,2%, para 11,9 mil unidades.
A exceção entre os principais mercados foi a Colômbia, que ampliou as compras de veículos nacionaiss em 7,2%, passando de 26,4 mil para 28,3 mil unidades.
Calvet sustenta que a concorrência crescente de automóveis trazidos da China, que ampliaram presença na América Latina com produtos eletrificados e modelos convencionais de menor custo, tem contribuído para os números vermelhos nos embarques e roubado fatia considerável das exportações nacionais.
Fonte: Auto Indústria